Quinta-feira, Janeiro 17, 2008



pequeno post.

Existem novos começos e novos fins, todos os dias, todas as horas, em todos os lugares do mundo. Uma conversa começa, uma aula acaba, o cinema começa, o sol se põe. Um universo de reinícios. E vamos todos renovando juntos, talvez seja essa uma das graças maiores da vida: a oportunidade de viver novas emoções e dar chances a elas. fazer o que tem vontade, vontade de viajar, de fugir, de começar a dieta, de juntar, de gritar, de ligar, de falar na cara.
Há momentos em que é difícil enfrentar o novo, habituamo-nos com a certeza, ou melhor, com a familiaridade. Considerando essa dificuldade apenas, o novo vêm mais sofrido, por mais doces e sutis que as mudanças sejam. Eu tenho um negócio de me entregar a tudo, profundamente, instintivamente, impulsivamente; isso cria em mim um barreira para seguir novos caminhos, me faz ser uma pessoa tão cheia de desculpas para fazer isso ou aquilo quando eu sinto medo. Sob outro ponto de vista, essa minha entrega sem limites já me faz, quando arrisco, arricar demais, entende? É assim, se é pra pintar o cabelo, e eu decido mesmo, então massa, eu pinto , se é pra mudar de cidade, eu eu despiroquei e me decido, eu me mudo e tento fazer tudo dar certo. Sou muitos opostos juntos, muito nada a ver/ Quantas não foram as vezes, e quantas não serão as próximas, em que eu vou estar tão mergulhada numa situação que há muito já acabou... Ah, isso maior por que tento sempre fazer tudo dar certo, como se eu tivesse essa obrigação sempre, mesmo no fundo sabendo que nem tudo dá certo.
Mas eu acabei entendendo que o dar certo é relativo. Certo é durar pra sempre? Certo é não ser condenada e criticada pelos outros? Certo é ser igual? De tudo o que "não deu certo" na minha vida, eu tinha o costume de me achar derrotada, sabe. Agora, mais pensativa, percebí que não. As belezas das lembranças se manterão, por mais elas tenham passado. Por um ângulo, isso é dar certo. E eu não perdí, eu ganhei muito. Ganhei uma parte de mim que sou agora.
Tenho um pedaço de mim no colégio que estudei por onze anos, tem um pedaço de mim nos meus melhores amigos, nos objetos que mais valorizo, na minha família, nos meus beijos, em cada post. Tem eu nas novas e velha decisões, nas minhas incertezas; eu sou, antes de tudo, todos os inícios e fins de todos os dias na minha vida. Céus! Que estranha.


Did I disappoint you or leave a bad taste in your mouth?
You act like you never had love and you want me to go without.
Well, it's too late tonight to drag the past out into the light.
We're one, but we're not the same.
We get to carry each other, carry each other... one

Desabafado às 12:20 PM

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Sexta-feira, Novembro 30, 2007

post auto-ajuda.

sabe o que acontece? a derrota só vai me levantar ainda mais.
me dará mais gás, mais ímpeto na minha meta,
me amadurecerá muito além do que imagino.
vou me dar a trégua de sentar e chorar, de me corroer, de me lastimar e
de me entregar momentâneamente à dor crua e desleal.

só que depois, ah, depois, meu caro, eu vou me erguer grande e obstinada.
vou crescer tanto, e tanto, e ficar tão grandona, que vou conseguir abraçar todos os meus medos
como se eles fossem crianças facilmente domáveis.
caí e cairei mais vezes. esfacelei meu rosto no chão, mas levantei e
estou em pé de novo e assim sairei alguém maior melhor e menos prepotente.

o meu maior desafio hoje é encarar a concorrente dentro de mim.
e eu vencí aquela que fui antes de ontem, venço a que fui ontem e vencerei a que serei amanhã.
tudo o que vem na vida não vem à tôa não. vem com suas mensagens e seus
ensinamentos. já guiei muitas pessoas e outras tantas me guiaram.
acredito muito que cruzará pela minha vida aqueles que farão uma
mudança crucial para realinhar o meu destino;
e o tempo me mostra e mostrará isso cada vez mais que eu crescer.
nem que esse tempo me dê ou não mais tempo, nem que eu tenha ou não
mais força em mim: no final eu tenho certeza de que me acontecerá o melhor .

digo isso porque antes de tudo eu já sou uma vencedora por aquilo que
eu já realizei em prol de um sonho. fiz coisas que eu nunca imaginaria
que pudesse conseguir. ultrapasso meus próprios limites e de certa
forma isso é muito lindo.assim, eu já ganhei, porque minha luta solidificou uma base
que me firmará por toda minha história.

e assim, no final das contas, de todas as pendências e reclamações,
as novas experiências e esses tantos
desafios já me fazem uma vitoriosa.





Desabafado às 12:17 AM

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Sábado, Novembro 24, 2007

apenas um novo post .



A música, agora mais suave, irradia com melancolia pelo salão.
Pessoas poucas se dispersam menos mascaradas, sem exageros.
A maquiagem já não esconde a espinha, o cravo, a ruga. Ela não importa mais.
Os risos escandalosos ficaram pro começo da festa. Assim como o grampo no lugar certo do coque, o nó da gravata. Assim como a elegância, a racionalidade, a conveniência.
O frio na barriga do que pode acontecer já passou. As expectativas da festa já foram. Agora ficam as análises.
Fica o vestígio da droga ingerida, sendo ela o álcool, sendo ela o amor, sendo ela a saudade. As outras tantas, tanto faz; nessa hora os convidados são os personagens menos convincentes da noite. Enganam a si mesmos.
No fim da festa não há mais atitude plenamente sã, há a inércia dos gestos, há a fala impensada.
Os convidados se espalham, os restantes formam núcleos do que poderia ter sido.
Numa mesa distante um garoto entorpecido segura a flor, no saguão uma menina enchuga a lágrima do olho esquerdo, na varanda conta-se segredos mútuos, na beira do lago sente-se a brisa. Os convidados restantes sorriem pelos olhos, escutam com os gestos;
O tempo passa, o vento passa, as folhas balançam, os garçons somem.
Alguns convidados se levantam, quase vão. Alguns não-convidados vão.
Lentamente todos somem, lentamente.
O dia anuncia o fim da festa, o fim da máscara.
O salão se desvanece em embalagens, líquidos, vestígios.
E no exato instante em que o primeiro raio de sol se infiltra pelo vidro da varanda, a ultima gota do taça de vinho derramado pinga.
Nasce o dia, morrem os disfarces.

Apenas mais uma noite.


Desabafado às 11:01 PM

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Sábado, Outubro 13, 2007

Eu ví um tucano lindíssimo.
Ele surgiu enquanto eu conversava embaixo de um bloco na asa sul. Daí no meio dessa hiperatividade toda do meu dia, com compromissos previsíveis e passos inertes, aparece o belo tucano com seu ar de fragilidade. Ele rasgou a previsibilidade do meu dia e sem mais nem menos impôs sua beleza inegável.
O tucano, o qual chamarei de Charlie, aparentemente tinha acabado de realizar uma estratégica fuga do zoológico para atingir a liberdade. Charlie evidentemente estava cansado, tristemente só e com muita sede. Pelo visto, os outros não resistiram à fuga. Só Charlie pôde ver o mundo lá fora.
Após admirar calamente o contraste do concreto armado diante dele mesmo, afundou num céu azul demais para ser verdade. Esse céu eram os espelhos do prédio da frente, nos quais ele mergulhou com vigor.
Para a diminuição do meu desespero,logo o tucano refugou. Por pouquíssimo não bate e morre.
Provevelmente ele tenha ficado pensativo em relação a sua liberdade. Que mundo é esse de coisas estáveis, céus plastificados e gente que me dá nome, afinal?


charlie de volta ao zoo.

Desabafado às 12:13 AM

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Quarta-feira, Abril 26, 2006

(quase morrpi do coração agora, fui postar e não tinha conseguido entrar, achei que tivessem desativado isso, noss,a por um instante infinito valorizei muito isso aqui)





carrego constantemente dentro de mim um sentimento de abandono, como se tivesse largado algo para trás, como se em algum lugar eu tivesse deixado alguns princípios, como se em algum lugar no tempo eu tivesse esquecido alguma parte de mim que me fez um dia quem fui. vejo os posts antigos, as fotos antigas, tenho as nostalgias e não me vejo como quem já fui, mudei muito. a independência que estou cirando me faz sentir estranha e no meu cotidiano eu não posso pensar muito senão eu ia despirocar (palavra sabiamente colocada). eu carrego tal sentimento em mim mas não sou infeliz por isso, não, não é assim. não vou ficar tendo problemas e sendo problemática, nem tenho isso. eu reclamo d etudo sim, mas 90% das evzes dos meus direitos de consumidora sendo burlados por alguma lanchonete. não vou ficar gritando meus problemas pessoas para colegas que são amizades oportunistas como companheiros de cursinho, os quais muito provavelmente só mantenho a amizade por estarmos no mesmo lugar com objetivos parecidos. depois tudo passa.
eu carrego essa sensação de eu deixada para trás como quem carrega uma pintinha em alguma parte do corpo: não me desfaço em pensamento descontínuos simplesmente por sentir sensações assim. não tenho sequer tempo para ficar com rancores, relatando mágoas por aí.
não gosto quando (não se lê "não gosto de pessoas que" pois dificilmente julgaria gostar de alguém ou não por alguma mania da mesma, até com a menina com o sutaque paulista que eu odeio e que fica perguntando toda hora na aula eu tneho uma relação simpática), enfim, não gosto quando murmuram mágoas por aí e se desvaloriza o que a vida já deu. stop crying your heart out, eu penso. mesmo por tudo que já se deixou passar, abandonar, fugir, existe a experança de poder mudar isso e conseguir a sensação de vida aproveitada e vivida corretamente, se é que há modo de se fazer isso. o que tenhor receio e medo é se vivo a vida mesmo ou se a deixo passar. muitas vezes ajo inconsequentemente e não me sinto viva, outras ajo e me sinto outra, outras vezes eu sigo as normas e sinto manter uma vida boa e segura em minhas mãos. se a vida é para ser vivida loucamente e sem pensar ou limitada e coerente é meu dilema durante o sombrio tempo em que paro e tento me acalmar de viver.
não conseguiria é ter uma visão de vida sem ver o futuro, porque esse já passou. por exemplo: se imaginar velha, tendo que gastar tudo comigo e com minha saúde, a sociedade pouco se importando com quem fui, com o que deixei de fazer, de falar de aprender na juventude. isso é horrível. imagina começar esse post idosa, e não poder sentir a esperança de recuperar meu abandono? ah. que sensação horrível. eu não queria ter que sentir falta de esperança nunca na vida.
a esperança no amor, a esperança de poder mudar o errado, de passar no vestibular, de conseguir um emprego, de ser rico, de não morrer, de ainda receber visitas, de conseguir aumento no salário... a esperança é só equiparável à maior força do mundo: a força de vontade, eu acredito.


Desabafado às 9:08 PM

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Quarta-feira, Março 01, 2006

escrever sobre nada é ocupar o tempo com o que já foi escrito na cabeça e se esqueceu; é tentar se sentir útil diante da paranóia de se pensa rno que escrever, é o mesmo que forçar encontrar figuras numa nuvem: o mesmo medo de um dia olhar para uma nuvem e nada ver. escrever por si já é um ato de abdicação ao cotidiano, já é prova que você entregou um tempo pra si, o mesmo tempo que você conseguiu arranjar para fazer algo menos esforçante. o ato de escrever é recíproco, as palavras agradecem por terem saído dos dedos que digitam, e eu agradeço por elas dizerem próximo do que quero.
não quero escrever coisas sem nexo, mesmo sendo o querer não condizente com a realidade. a gente escreve internamente, escreve publicamente, escreve para rabiscar. eu cansei de rabiscar estrelas simétricas nos cadernos, quero mesmo é escrever. fingir que pelo menos há razão para tudo ser contado, que há estrada feita para cada objetivo; se não for assim, bem capaz que eu me renda à facilidade de nada escrever, por pura preguiça.
eu quis escrever sobre quando fui subitamente testemunha de um casamento esquanto no cartório, sobre quando olhei a atendente do supermecado diferente, sobre quando fui ao aeroporto, sobre quando almocei com o menino que morou na frança e outro que morou numa cidadezinha de menos de 10 mil habitantes. quis falar sobre quando não gostei da dureza do queijo no enrolado, sobre o menino modelo, sobre o pôr-do-sol na terceira ponte. quis escrever sobre o amor em si, o amor que sinto, o amor que sentem. quis escrever sobre tudo. agora se perdeu; sumiu, sumiu. escrevo, me entrego, digo então que faço um post sobre o nada, sobre tudo que não escreví, e sobre a vontade que tenho de escrever.
combinamos isso então, o que quis escrever foi lido, o que quero ler aqui foi escrito.



damien rice- delicate






Desabafado às 7:27 PM

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Quarta-feira, Dezembro 21, 2005



hoje sentada na minha cadeira, 3 fileiras depois da porta, quase final da sala, eu me ví respondendo àquelas perguntas didáticas que o professor faz mais para ele mesmo que para respondermos, me sentí uma idiota, aquela nerd insuportável que murmura numa angulação que corresponde a um ponto cego para você tacar algo. meu nariz intupido, imaginei minhas hemácias, imaginei o sangue fluindo que nem dá para ver no discovery channel. fiquei sem ar, saí pela porta a 2ª ou 3ª vez, o professor já puto se ele não está sempre puto, fui até a semi-varanda e tentei resgatar o ar com as narinas. fiquei sentindo o ar entrar nos pulmões com dificuldade, eu estava ofegante, me mantive a olhar aquelas árvores do final da asa sul que às 7 recebe raios num penetrância apaixonante. tenho posts diários escritos em pouco segundos, posts sobre a atendente da cantina que só vê as mãos com fichas no recreio, posts sobre o xixi da cigarra, sobre a cascata que eu ví caindo da rodoviária.

o que menos queria deixar relatado aqui é o ambiente de cursinho, aquilo não devia ser relatado nunca, para depois a pessoas se esquecerem e ninguém ter mais que ficar contando dessa parte da vida. não que as pessoas, os professores, sejam ruins. aliás, cursinho é até um ambiente engraçado, único lugar onde você escuta "revisar é a solução! não vamos sair não, tem que ir para aquela aula lá amanhã. gente, revisar é revisar. revisar é.. viver. revisar é viver."
o lance mesmo é esse: aquilo começa a pirar as pessoas. eu sinto a vontade de ver árvores às vezes. o ser humano precisa fazer isso. eu vjeo, agora estou começando a voltar a respirar ar não circulado pelo ar-condicionado :)
outro dia, estudando no cemitério (lugar onde ficam as cabines) em minha quase habitual terceira cabine, de frente para a parede. do lado desta cabine mora um japinha, o qual me olha as vezes torto, baba enquanto dorme de uma em uma hora e praticamente me impressiona com a sua capacidade de aumentar a cadeira 7 vezes, fazendo dela um sofá grandiosamente confortável. ainda vou conseguir sentar tão confortavelmente que nem ele e ficar toda orgulhosa. outro dia quase consegui sentar daquele jeito que o japinha faz, apoiando o pé com as meias na parede da cabine, mas não tive muito sucesso.
___
indo ao objetivo, me encontrei deparada com a tal parede. aquela que me encara, descascada, feia, com desenhos como aqueles pré-históricos, datados de semestres passados, daqueles que naquele local também manifestaram vida. na parede, de lápis, escreveram no canto superior esquerdo: "mural dos neerds". percorrendo os olhos por ela (provando como o estudo rende) percebe-se frases e frases. as pessoas eu acho que ficam tão sós que acabam por querer a parede como amiga. "viver envelhece o rosto, desistir de algo envelhece a alma", estava escrito na esquerda. "bto fé", embaixo. e aí começa todo um diálogo.
aquela parede descascada, branco-suja, dum amarelo triste até a metade... quantos alunos ela já não viu? é cúmplice da vida que jogam fora lá fora. quantas dormidas, quantas melecas, quantos livros já não viu? se eu pudesse escolher algo para nunca ser, eu nunca seria aquela maldita parede.

:} sim, sim, estou bem. ><



Desabafado às 11:18 PM

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..: Luciana :..

19 anos vivendo aqui
Capricorniana mas não acredito muito nessas coisas;
brasiliense por causa do local;
canhota pela genética não-mendeliana;
impulsiva, instável, impaciente, pessimista, tudo meio demais.


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